Setentinha atualizado: a nova era da marca Diane Von Furstenberg

Agora sob a direção criativa de Jonathan Saunders, a marca recebe uma injeção de modernidade e grafismos – mas isso sem alterar o DNA da marca.

Diane von Furstenberg decidiu se afastar de sua marca para se dedicar integralmente às suas paixões filantrópicas – em especial, à cerimônia anual do DVF Awards, prêmio criado em 2010 para dar visibilidade a mulheres e projetos que se destacam na luta pelo empoderamento feminino, e à instituição Diller-von Furstenberg Family Foundation, que ela mantém em parceria com o marido, Barry Diller, e que dá suporte financeiro a outras organizações. Ao nomear Jonathan Saunders como Chief Creative Officer (além da responsabilidade pela criação das coleções, o cargo também abrange o cuidado com a imagem da marca, desde o site até o visual de campanhas e lojas), ela recuou dos holofotes pela primeira vez. Já Saunders, 38 anos, retornou a eles com pompa – pouco mais de um ano antes, ao anunciar o fim da marca que leva seu nome, ele chegou a considerar abandonar a moda. “Eu queria mudar o meu ritmo de vida e fazer algo diferente”, revela.

De fato, suas ideias eram outras: ele havia traçado planos para criar uma coleção de móveis quando Diane veio ao seu encontro. Saunders hesitou diante do convite de assumir e levar adiante o legado de um nome tão icônico e presente no imaginário das pessoas, como o dela. Foi justamente isso, no entanto, que o fez decidir dizer sim. “Vi uma oportunidade de contar uma história com roupas e também fazer algo significativo.” Diane diz que sua decisão de contratá-lo foi espontânea, mas também baseada em uma admiração de longa data por seu trabalho, que, assim como o dela, é conhecido pelo envolvimento intenso com estampas. “Sua noção incrível de cores e padronagens, suas criações despojadas e seu desejo de tornar as mulheres mais bonitas fazem dele a escolha ideal para conduzir a DVF ao futuro”, afirma a estilista.

O amor de Saunders pela teoria das cores – que fala das reações e emoções que certos tons e combinações provocam – vem de sua fixação pelo vanguardismo da escola Bauhaus, que conheceu quando frequentou o curso de design têxtil e de produtos na Glasgow School of Art, na Escócia. Pouco depois de ingressar nesses estudos, o escocês pediu transferência para a famosa escola de arte e design Central Saint Martins, em Londres, onde a conhecida professora de moda Louise Wilson o iniciou na criação de peças femininas com grafismos – e o resultado logo encantou pela justaposição de cores extravagantes. Para coroar sua formação, ele também tem um doutorado em artes na Universidade de Glasgow.

Diane manteve a posição de chairwoman de sua empresa, mas a presença da designer tem sido cada vez menos notada no escritório (ela nem sequer se envolveu com afinco nos detalhes da contratação do novo estilista). Apesar dessa liberdade toda, Saunders tem sido cuidadoso ao estabelecer sua liderança com respeito e sem aspirações ligadas à idolatria. Uma de suas primeiras ações na casa foi atualizar a logo da marca com letras maiúsculas e um longo espaço entre “Diane” e seu sobrenome, “von Furstenberg”. Mas ele também reservou um tempo para conhecer as clientes antigas e fiéis da designer para bater um papo e entender o apego emocional que elas nutrem por tudo o que Diane representa.

O empenho em absorver o DNA da grife e a inovação inerente à sua personalidade resultaram em um début marcante com a coleção verão 2017, recém-chegada às duas lojas brasileiras, ambas localizadas em São Paulo. O sucesso se deve à introdução das marcas registradas de Saunders, como a geometria, o esporte e os grafismos, ao glamour vintage tão típico e consolidado no trabalho de Diane. Apesar de parecerem propostas opostas, ele conseguiu manter a vibe setentinha e a praticidade das peças, outros aspectos tradicionais da label. Seu foco no sportswear mais casual, de essência fresh e jovem, incluiu calças fluidas de barras largas e vestidos de seda com estampas florais exóticas, que flertam com a moda oriental – a inspiração no formato envelopado do quimono, aliás, faz uma referência subliminar e contemporânea ao wrap dress, o vestido de maior sucesso na história da Diane von Furstenberg. Portanto, apesar da proposta moderna que atrai olhares curiosos do público jovem, a clientela fiel não precisa temer qualquer mudança de rota na essência – nas araras, só serão encontradas peças com apelo feminino e prático, bastante fáceis de vestir.

Na última edição da semana de moda de Nova York, em fevereiro, Saunders investiu novamente no que é quente agora e recheou a coleção de inverno 2018 com silhuetas oversized, as preferidas do street style. Mais um ponto ganho com Diane, que em sua última edição à frente do processo criativo da grife deixou claro o desejo de se aproximar dos influencers, os responsáveis por ditar moda hoje: em vez do tradicional formato de desfile, ela apresentou a coleção em uma festa particular para convidadas, como as modelos Gigi Hadid, Kendall Jenner e Karlie Kloss. Não dá para negar: a sintonia entre a belga e o escocês promete render bons frutos, que, de quebra, serão dignos de likes.

A nova cara da marca

A mulher romântica e nostálgica pensada por Diane von Furstenberg ao longo dos anos deu lugar a uma de atitude mais cool, que não tem receio de se entregar a tendências ousadas. Comprove em alguns dos looks já assinados por Saunders.

(Agência Fotosite/Agência Fotosite)

A geração millennial

Nesse atual momento, a marca tem se aproximado de novos nomes que influenciam a moda.

(Divulgação/Divulgação)

Vestido-símbolo

Pouco depois da criação da grife, em 1972, nasceu o emblemático wrap dress – ou vestido-envelope –, que consagraria Diane von Furstenberg no meio fashion e no universo feminino para sempre. A ideia de criar um vestido prático e envelopado ao corpo, que facilitasse o dia a dia das mulheres, ecoava um objetivo ainda maior: o da luta por liberdade e empoderamento do gênero. Em 2014, a peça completou 40 anos e ganhou uma mostra em sua homenagem, a Journey of a Dress, que ocupou o Wilshire May Company, em Los Angeles. Consciente da força do modelo, Saunders não o tirou de cena e ainda concentrou esforços para fazer as mais belas releituras da peça: como um quimono ou como um grande lenço, continuamos muito envolvidas com ele.

Diane aos 26 anos, quando criou o wrap dress, sem saber que ganharia o mundo com ele. (Divulgação/Divulgação)

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